“Krishnamurti: Senhores, que significa
‘meio de vida’? É ganhar o suficiente para as nossas necessidades, que são
alimento, roupa e morada, não é verdade? A
dificuldade relativa ao meio de vida só surge quando nos servimos das coisas essenciais à vida – alimento,
roupa e morada – como meios de agressão psicológica. Isto é... como meios de engrandecimento pessoal...; e a nossa sociedade está essencialmente
baseada, não no suprimento das coisas essenciais, mas no engrandecimento
psicológico, no uso das coisas essenciais para expansão psicológica de nós mesmos. ... Há suficientes
conhecimentos científicos para suprir todas as necessidades do homem; isso já
foi calculado, e tudo poderia ser produzido em tal escala, que nenhum homem
passaria necessidade. Mas por que não se realiza isso? Porque ninguém se satisfaz apenas com alimento,
roupa e morada; cada um quer mais. E esse ‘mais’ é o poder. Mas seria
irracional ficarmos satisfeitos apenas com as coisas necessárias à vida. Ficaremos satisfeitos com as coisas
necessárias, no seu sentido exato..., quando tivermos encontrado o imperecível
tesouro interior a que chamamos Deus, a verdade,... Se puderdes encontrar
essas riquezas imperecíveis dentro em
vós, vos sentireis satisfeitos com poucas coisas,... Mas, somos... levados
pelos valores sensoriais. Os valores dos
sentidos se tornaram mais importantes do que os valores do real. Afinal de
contas, toda a nossa estrutura social,
nossa civilização atual está essencialmente baseada nos valores sensoriais...
(Novo Acesso à Vida – Conf. em Bengalore, Índia, 1948, os. 149-150.)”
(“Sociedade, Transição e Futuro – Vias
Intermediárias e Fundamentos”, Carlos de Sousa Neves, Edição do Autor, obra
escrita entre 1977 e 1982, Página 592.)
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