sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ego capitalista

      “Krishnamurti: Senhores, que significa ‘meio de vida’? É ganhar o suficiente para as nossas necessidades, que são alimento, roupa e morada, não é verdade? A dificuldade relativa ao meio de vida só surge quando nos servimos das coisas essenciais à vida – alimento, roupa e morada – como meios de agressão psicológica. Isto é... como meios de engrandecimento pessoal...; e a nossa sociedade está essencialmente baseada, não no suprimento das coisas essenciais, mas no engrandecimento psicológico, no uso das coisas essenciais para expansão psicológica de nós mesmos. ... Há suficientes conhecimentos científicos para suprir todas as necessidades do homem; isso já foi calculado, e tudo poderia ser produzido em tal escala, que nenhum homem passaria necessidade. Mas por que não se realiza isso? Porque ninguém se satisfaz apenas com alimento, roupa e morada; cada um quer mais. E esse ‘mais’ é o poder. Mas seria irracional ficarmos satisfeitos apenas com as coisas necessárias à vida. Ficaremos satisfeitos com as coisas necessárias, no seu sentido exato..., quando tivermos encontrado o imperecível tesouro interior a que chamamos Deus, a verdade,... Se puderdes encontrar essas riquezas imperecíveis dentro em vós, vos sentireis satisfeitos com poucas coisas,... Mas, somos... levados pelos valores sensoriais. Os valores dos sentidos se tornaram mais importantes do que os valores do real. Afinal de contas, toda a nossa estrutura social, nossa civilização atual está essencialmente baseada nos valores sensoriais... (Novo Acesso à Vida – Conf. em Bengalore, Índia, 1948, os. 149-150.)”

      (“Sociedade, Transição e Futuro – Vias Intermediárias e Fundamentos”, Carlos de Sousa Neves, Edição do Autor, obra escrita entre 1977 e 1982, Página 592.)

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